segunda-feira, 19 de maio de 2008

Poema de minha mãe.

"A arte de escrever, em minhas veias, foi herdada de minha mãe, ser humano mais que extraordinário. O que ela escreve desde criança me inspira, me fascina. Lembro que quando comecei a estudar, primeira série, perguntei a ela o significado de uma palavra, muito pacientemente me disse: "Filha, apresento a você seu amigo para a vida inteira", olhei e dei de cara com o dicionário Aurélio. Ela estava me dizendo que, me explicar o significado de uma palavra seria muito simples, mas meu interesse em buscar pelo significado dessa palavra me levaria a um mundo de possibilidades.

Abaixo um dos poemas de minha mãe que mais gosto":


Natal. . .

Passa o tempo... A vida voa... Se escoa, perdida no tempo e no espaço, entre palavras vãs e coisas sem sentido... Perde-se num amontoado de inutilidades, a esperança... Não percebemos, nem ao menos tentamos, que a vida vai além de tantas futilidades, tantos desvalores... Que o tempo escorre entre nossos dedos, enquanto nos limitamos a lamentar o tempo perdido, a vida que se foi... Criticamos aqueles que perderam seu tempo, suas vidas, quando podiam tê-las vivido da melhor maneira e somos, entretanto, muito mais inúteis, muito mais ineptos, pois, conhecendo o caminho, perdemos de vista a longa estrada, tornamos inútil e vazia a mais sublime de todas as viagens... "Vida repara como ela soa...” Há de algum humano pôr ela passar e realmente compreender-lhe o sentido, o valor?... Quando nos formos, aqui havemos de deixar as mesquinharias, as dores, sem sentido, e, sobretudo, o maior de todos os tesouros, a vida... Assim, vive... Não te deixes levar pelo desespero das lidas diárias, pela busca incessante por algo que não irás encontrar a não ser dentro de ti mesmo... A paz, a esperança, o ideal de amor e tranqüilidade, estão em teu próprio ser, em tua alma, em tua vontade de ser, não apenas e tão somente mais um, mas alguém que viveu, sofreu, amou e conheceu a maior de todas as verdades... Que viver não é passar por este mundo em brancas nuvens, adormecer em plácido repouso, mas tirar proveito de cada segundo, cada gesto, cada dia de sol... Saber que até mesmo a dor é apenas mais um estágio no caminho da paz... Não desperdiça teu tempo com lutas vãs, sem sentido... Nem deixa que teu tempo morra no desespero da suposição de coisas que ainda irão acontecer, o futuro não te pertence, nem procure entender, teu desespero, tua angústia não são... Nada valem, são apenas impecilhos para a tua esperança... Adquiri o hábito da paciência... Ela te levará, junto com o amor à vida e a paz, a uma vida mais digna, a um mundo melhor... embora só teu.

(LIDIA MARIA DA SILVA COSTA – NATAL DE 1992)

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