sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Tristeza...


Encontro-me na sala de minha casa, sentada, olhando para o vácuo da minha solidão eterna.
Estou imóvel, a vida me leva. Ouço ruídos lá fora, mas nada que me tire desse vazio.
Silêncio dentro de casa, um turbilhão de emoções querendo sair de mim.
Busco nesse espaço sem fim algo que brilhe dentro de mim, que me salve, me resgate desse planeta parado onde resido agora.
Estou escutando vozes, mas nenhuma que me comova, que me desconcentre, que me diga alguma coisa.
Sinto-me perdida, nem me lembro quando foi o momento em que eu deixei de pensar, de me importar, nem me lembro quanto tempo faz que estou aqui.
O único sentimento que há em mim nesse instante é dor, minha fiel companheira.
A conheci ainda muito cedo, quando nem sabia como definí-la, foi ela quem me encontrou e tomou conta de mim.
Lutei contra ela anos a fio, tive pequenas vitórias, mas nada que a levasse para sempre daqui.
Ela me atravessa em qualquer parte, às vezes é tão intensa que não tenho mais controle sobre meu pensamento, meu coração fico pequeno, apertado, querendo parar de bater.
Minha alma chora, meu corpo sente cansaço. A dor me devora.
Nesse constante movimento que "ela" causa em meu mundo vivo de tristeza, uma tristeza sem fim.
Olho ao meu redor e vejo rostos, apenas isso. Junto com esses rostos há corpos, corpos sem alma que não entendem e não querem entender que a vida é bem mais do que podem imaginar.
Corpos sem alma com um coração que bate apenas por bater.
Sinto vontade de gritar ao despertar do meu devaneio, gritar bem alto num som que atravesse e traga consigo algum movimento desses corpos sem alma.
Quando as pessoas vão entender que vamos levar desse mundo apenas as emoções e os momentos que vivemos?
Quando as pessoas irão aprender a respeitar seus semelhantes?
Quando as pessoas voltarão a serem cordiais?
Quando as pessoas irão compreender que aquele que nos ama deve ser tratado no mínimo com respeito e não com um olhar vazio e de total desprezo?
Tristeza...é a maior parte do que sou e do que vou levar dessa vida.

Leni Silva.

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