sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Perdas...


Perdas...
O mundo pará, nada mais se escuta.
O coração bombeia lentamente, o sorriso encurta.
Buscasse razões, motivos, respostas para continuar.
Mas, um grito feroz se perde no ar.
Dores no corpo, no coração e na alma são freqüentes a felidade está ausente.
Perdas...
Lida-se com elas todos os dias e sempre são mais presentes aumentando a agonia.
Olha-se ao redor, nada se encontra, os rostos são desconhecidos, estamos em um universo perdido.
Perde-se o interesse pelas manhãs ensolaradas, por curtir a madrugada.
Perdas...
São tantas e fazem parte de nossos dias já desde nossa concepção.
Perdemos a segurança do útero de nossas mães no nascimento.
Perdemos o brilho do olhar de nossos pais em nossa primeira manifestação de que não somos exatamente o que eles esperavam de nós.
Perdemos a inocência quando saimos de casa, tão cedo, para convivermos com outras crianças.
Perdemos a inocência quando descobrimos que aqueles que mais amamos são os que nos trazem mais dor, são os primeiros a nos trair.
Perdemos o brilho no olhar ao perceber que fizemos nossa mãe não confiar mais em nós.
Perdas...
Podem ser em pequena ou grande escala, mas sempre irão levar, de alguma forma, o melhor de nós.
Existem perdas irreparáveis e suportáveis.
Existem perdas necessárias.
Perdas irreparáveis são aquelas em que nos levam para longe nossos entes queridos, o amor da nossa vida. São aquelas em que perdemos o direito de realizar nossos sonhos,
nossas vontades, nossos desejos.
Perdas irreparáveis podem ser do coração e de alma depende de como analisamos a vida, do nosso ponto de vista.
Perdas suportáveis são aquelas em que, não tem jeito, teremos que continuar mesmo que a dor nos abale, cale nossa voz, o mundo vai continuar girando e nosso instinto de sobrevivência irá falar mais alto.
Perdas necessárias são aquelas que nos ocorrem desde nossa vida de criança quando deixamos de ser inocentes, coniventes, quando aprendemos que precisamos defender nossas idéias, nosso pensamento, nossos direitos.
Perdas necessárias são aquelas em que num momento onde o coração parece que irá explodir, você percebe que todo aquele sentimento está te sufocano e permite que aquele amor se perca, que vá para longe, muito longe.
Perdas...
Estou sentanda aqui perdendo. Estou perdento o sol lindo que brilha lá fora, o prazer de estar contigo, a satisfação imensa de estar com minha família, de estar realizando, de curtir momentos de silêncio, de muito barulho, de falar alto sem ser recrimada, chamada a atenção, de estar vivendo.
Perdas, necessárias, irreparáveis e suportáveis de alguma forma nos tornam cada vez menos nós mesmos, cada vez mais conscientes de coisas que não queríamos saber, de que a vida são pequenos momentos de prazer.
Perdas...estou aqui, nesse exato momento, perdendo...

Leni Silva.

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